quinta-feira, setembro 29, 2005

Dicionário Autárquico V

I de Imprensa – a que temos no concelho cada vez está mais estrangulada economicamente ou dependente de interesses. Para resumir, restam-nos O Rio, com um projecto jornalístico independente e cada vez com menos apoios para sobreviver e um Jornal da Moita e Baixa da Banheira sempre colado aos tais interesses e beneficiando da enorme simpatia dos anunciantes que nele se instalaram. No entanto, e na minha opinião, em última instância a culpa, mais do que do poder económico ou político, é dos cidadãos que não sabem que é seu dever ajudar a sobreviver formas de comunicação social independentes dos grupos de pressão instalados. Sei que mesmo os jornais de âmbito nacional de maior prestígio e qualidade têm equilíbrios financeiros precários, mas talvez fosse possível que, por exemplo, O Rio pudesse continuar o seu trabalho sem estar a contar os tostões. É triste ver que certos anunciantes preferem colar-se a folhetos volantes praticamente sem conteúdos próprios originais, quase funcionando apenas como correia de transmissão de textos produzidos em série nos gabinetes partidários locais, só porque são distribuídos porta a porte de graça. No concelho do Barreiro, apesar de tudo, ainda subsistem projectos jornalísticos com alguma diversidade.

J de João Lobo – o herdeiro da Presidência da CMM, graças ao abandono do outro João, de Almeida, pelas razões que todos sabem mas poucos admitem. Procurando afirmar-se como a face nova do PC local, como símbolo de uma nova geração mais fotogénica e simpática, embora nada renovadora nos métodos, JL pode ser o herói ou o vilão da História do PC no concelho. Tanto pode ser aquele que estanca a perda eleitoral contínua da CDU no concelho (em queda desde 1979, ano em que a FEPU ou APU chegou aos 67%) ou aquele que perde pela primeira vez a maioria absoluta. Nestes anos em que conduziu os destinos da Câmara, notaram-se algumas ideias ou projectos que rompem com o que vinha de trás, mas que nem sempre parecem muito coerentes. Por um lado quis a firmar a Moita como uma “nova centralidade” e reforçar o seu papel polarizador na Margem Sul, mas em ter nem meios, nem reais potencialidades para o conseguir, o que não é escondido por uma ou duas obras de fachada. Por outro, decidiu colar-se ao lobby taurino, ao arrepio da prática do PC desde os anos 70, para tentar recuperar a Junta de Freguesia da Moita ao PS. Só que nessa área “tradicionalista” já se estava a instalar a aliança PSD/CDS e já o próprio PS se tinha antecipado. Se parece verdade que será o próximo Presidente da CMM devido às tradicionais debilidades internas do PS, também parece que virá ser uma realidade a necessidade de partilhar o poder. E é aí que se conhecem as verdadeiras capacidades de um político.

AV1

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